A “pequena nerdinha” e o salto gigantesco da humanidade

Margaret Hamilton, a pequena nerdinha

“The eagle has landed”, “a águia pousou”! É, sem sombra de dúvidas, uma das mais icônicas frases dos Estados Unidos. Pronunciada no momento em que o Homem pousou na Lua pela primeira vez. O marco histórico que o mundo inteiro parou para assistir gravou na história frases importantes, os astronautas e equipe de engenheiros aqui na Terra. Contudo, pouca gente sabe que tudo isso foi possível graças a uma mulher.

E acredito que falando assim, pensamos ser a mãe ou esposa de um dos astronautas, certo? Muito longe disso! Trata-se da Diretora da Divisão de Software no Laboratório de Instrumentação do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o M.I.T.

Em uma época onde pouquíssimas garotas estudavam ou trabalhavam com computação, Margaret Hamilton, foi uma das principais responsáveis por levar o homem à Lua!

 

Mãe, esposa e engenheira

Nascida nos Estados Unidos, Margaret sempre foi interessada em temas do universo. Margaret casou-se no começo dos anos 50 e após o término de sua faculdade teve sua filha, companhia constante nas jornadas de trabalho aos sábados e domingos da mãe. Formou-se em matemática em 1958 e ingressou no M.I.T com apenas 24 anos. Atuando como desenvolvedora de software e cientista da computação, formou-se como engenheira de software.

Muitos podem se surpreender hoje ao saber que, em uma época onde os homens eram os principais responsáveis pelo sustento do lar. Margaret encontrou um emprego temporário que veio a transformar-se em sua missão de vida.

 

“Cara ou coroa”

Na década de 60, dois gerentes de projetos do MIT, entidade recém-contratada pela NASA, decidiam no cara ou coroa quem iria ficar com Margaret Hamilton. Em entrevista ao site Futurism, Margaret conta que assim que soube das vagas no MIT entrou em contato e, no mesmo dia, fez entrevistas com os dois gerentes de projetos. “Eu não queria ferir os sentimentos de ninguém, então lhes disse para jogar uma moeda e veríamos qual grupo iria me contratar”, contou. E, assim, numa disputa de cara ou coroa, a carreira de Margaret foi definida, bem como a história da exploração espacial mundial.

 

Os 3 minutos que mudaram a história

Quando o módulo de pouso, Águia, estava a menos de 3 minutos de seu pouso histórico, algo deu errado! O computador de navegação acionou um alarme de erro. Com a tecnologia da época, não havia muito espaço para nada que não fosse crucial, e um módulo sozinho estava comprometendo 20% do total, em um momento onde o sistema rodava a 85% da capacidade.

O computador do módulo lunar estava sobrecarregado devido as atividades do radar de aproximação. Essa ação, somada às atividades de pouso, ultrapassavam o limite do que a máquina era capaz de fazer.

Neste momento a missão teria sido abortada se alguém não tivesse previsto uma situação como essa. E foi ela, Margaret Hamilton, juntamente com sua equipe, quem escreveu o código do robusto sistema criado pelo brilhante Don Eyles. Um software com fixed-priority pre-emptive scheduling, a chamada multitarefa preemptiva com prioridades pré-definidas. Margaret programou o computador para que ele fosse capaz de priorizar algumas tarefas em detrimento de outras. Ou seja, pousar na Lua era mais importante do que a ação do radar de aproximação. E foi exatamente o que a Apollo 11 executou. Permitindo que Neil Armstrong e Buzz Aldrin chegassem ao seu destino com segurança e enfim fizessem história.

 

Muito além da Lua

Mas não ficou só nisso! Além de ter realizado a programação, Margaret foi responsável por criar os conceitos, metodologia, arquitetura e modelagem.

As contribuições desta “pequena nerdinha” se estendem por uma carreira brilhante, partindo de cunhar o termo Engenharia de Software, aos processos, metodologias que não perdem validade, como:

– Software assíncrono

– Priority Schedulling

– human-in-the-loop

– end-to-end testing

– System Oriented Objects

– Linguagens de modelagem

– Desenvolvimento distribuído

– Detecção e correção de erros em RTOS

– Metodologias de teste e certificação

– Automated life cycle environments

 

Atualmente, essa senhorinha genial é CEO da Hamilton Technologies, onde desenvolve as metodologias de Universal Systems Language — nesta não se trabalha com orientação a objetos ou modelos, mas sistemas e a Development Before the Fact, cujo princípio é simples: “não conserte, faça certo da primeira vez”.

Durante sua trajetória Margaret recebeu premiações e reconhecimentos grandiosos:

  • 1986, Prêmio Augusta Ada Lovelace, Association for Women in Computing.[5]
  • 2003, NASA Exceptional Space Act Award for scientific and technical contributions. O prêmio incluiu US$37.200, a maior soma dada a um indivíduo na história da NASA.[9][22][23]
  • 2009, Prêmio para Ex-Alunos Notáveis (Outstanding Alumni Award), Earlham College.[5]
  • 2016, Recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade, a maior honraria civil dos Estados Unidos